POR QUE FAZER DANÇA DO VENTRE?
* Morgan Mahira (Michele Nogueira) *
Porque é a porta de entrada, para muitas mulheres, de um mundo só seu, delicado e feminino, fazendo com que se retome o contato ancestral da liberdade do ventre, dos pés descalços e da alma expressada através da dança. Sua base nos proporciona entrar em contato com o que chamamos de Divino Feminino.
Essa dança também proporciona uma autoaceitação, permitindo explorar o universo feminino, cada vez mais difícil nos dias atuais por causa do bombardeamento "plástico" e de corpos esculpidos e ditos "perfeitos".
Ao longo das aulas, enquanto alunas e/ou facilitadoras deste maravilhoso processo de autoconhecimento, notamos que o corpo vai tomando uma forma mais harmônica. O padrão de beleza "socialmente aceito" é descartado e dá lugar ao jeito de "Ser" de cada mulher.
Com essa autodescoberta, aprendemos a respeitar e a aceitar nosso corpo como ele é, mesmo com a nossa "barriguinha", aquela fora do padrão estabelecido que nos acostumamos a ver.
Desenvolvendo nossa Dança Interna, onde cada uma pode criar a sua, torna-se um bálsamo de reencontro com a própria essência. O Feminino Sagrado está dentro de cada uma de nós e ter acesso a isso não está ligado automaticamente ao aprender uma dança, mas no tomar consciência de si mesma e no despertar que essa dança nos proporciona.
Percebemos que somos únicas nesse mundo e conseguimos harmonizar o organismo para que ele tome a forma do nosso verdadeiro "Eu", o que pode ser chamado de encontro com a "Essência Divina" ou "Divindade Interior".
Descobrimos que o mais importante é dançar segura e feliz, pois descobrimos também que nossa barriga, nosso ventre é sagrado, fazendo jus ao nome: "Dança do Ventre". Desta forma, temos a oportunidade de nos libertar, continuando a sermos nós mesmas, mas melhorando cada vez mais como pessoas, em todos os sentidos da vida, incluindo o trabalho. Podemos nos tornar inteiras enquanto dançamos, nos entregar totalmente a este frenesi energético que nos é proporcionado.
"Dançar é ensinar ao corpo a linguagem da alma". Essa frase expressa toda a simbologia incluída nessa energia toda que iremos nos permitir vivenciar. Refletida nos movimentos, esta simbologia nos ajuda no processo de libertação e re-harmonização com nosso Sagrado Feminino.
A técnica da dança vivenciada através das aulas, é totalmente favorável às formas femininas e as linhas arredondadas e movimentos se adaptam perfeitamente ao desenho natural do nosso corpo. A delicadeza dos passos e deslocamentos retoma a graça feminina do andar e o reconhecimento de quanto a mulher pode ser suave e forte ao mesmo tempo, sem se desfazer de sua natureza. Reaprendendo a expressar as emoções através da música e da dança, nossas perspectivas são ampliadas, aumentando, consequentemente, as possibilidades de aplicar a dança no cotidiano.
Existe muito mais dentro de nós do que imaginamos, que busca expressão verdadeira, mas por vários motivos ainda está adormecido. Isto pode se referir à "alma da dança" e não tem relação com nenhuma religião específica, mas com respeito próprio, valorização de nossa essência divina e manifestação de nossa verdadeira identidade. E quando buscamos manifestar essa "alma" através dos movimentos da dança do ventre, resgatamos nosso poder criativo e recuperamos nosso "elo perdido" como filhas de Deus.
Nas práticas, à medida que o corpo se solta, vai se desprendendo de um padrão antigo e a estrutura dos movimentos vai imprimindo uma nova dimensão na vida de quem dança.
Os movimentos concentrados no baixo ventre, gerados a partir do quadril, vibram o corpo todo, deixando a sensação de que a bailarina-aluna e a música são a mesma coisa e se movem em perfeita harmonia.
Os desenhos geométricos inconscientes e o chamado ancestral sem palavras formam uma silenciosa e suave forma de terapia, que começa a partir do corpo, desde a postura, com a abertura da caixa torácica, à expansão do Chakra do Plexo Solar (centro de energia localizado na altura do estômago) e o encaixe de quadril que traz a bacia de volta à sua função de acomodar os órgãos internos. Adotando essa postura, haverá a ideia de um ser autoconfiante, aberto para o mundo que antes era contido. Também iniciamos o processo de reapropriação do corpo, aprendendo a isolar os movimentos de cada um dos membros e fazendo com que cada estrutura física (que abriga um dos Chakras principais) desenvolva sua função de forma equilibrada. Aprendendo a isolar, por exemplo, os membros inferiores dos membros superiores, estaremos gerando energia e fazendo com que os Chakras correspondentes respondam a este estímulo.
Para muitas pessoas, este processo silencioso causa estranhamento, com mudanças acontecendo internamente, modificando nossa frequência vibracional e transformando nossa maneira de agir, pensar e sentir o mundo. Conforme o corpo se solta, as couraças aparecem e teimam em nos abandonar. Mas quando essa percepção aparece, também existe uma escolha: continuar nos oportunizando essa redescoberta ou ficar paralisada, sem seguir adiante. E esse processo acontecerá repetidas vezes ao longo do processo de quem pratica a Dança do Ventre. Os bloqueios existentes no corpo emocional sempre têm o seus correspondentes no corpo físico, o que pode desencadear uma crise, um caos, uma barreira a ser vencida.
Pode ser feita em qualquer idade, desde crianças até à melhor idade, com absolutamente qualquer tipo físico e grau de "rigidez" (para aquelas que acham que não levam jeito ou são muito "duras"), pois a dança é exatamente para isso: LIBERTAR, SOLTAR, DESBLOQUEAR e APROVEITAR!
E atravessando o tempo, repetimos os movimentos ancestrais dos antigos rituais de celebração à vida, fazendo surgir das profundezas, da mesma forma que o Lótus surge da lama, a Luz mais plena de nossas Almas Femininas.
ALGUNS DOS INÚMEROS BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE
• Corrige a postura, proporcionando mais elegância e consequente auxílio na correção de problemas crônicos e dores na região lombar e cervical.
• Modela ombros e braços, definindo os contornos.
• Eleva os seios, favorecendo seu formato.
• Diminui a barriga, fortalecendo e enrijecendo o ventre.
• Afina a cintura.
• Arredonda e endurece os quadris e glúteos.
• Alonga toda a musculatura, deixando a figura mais delgada.
• Tonifica e fortalece os músculos da perna, principalmente coxas e panturrilhas e também outros músculos, concedendo formas mais delicadas ao corpo, com perda de gordura e ganho de massa muscular.
• Ativa e melhora a circulação sanguínea.
• Com um bom ritmo de aula, pode queimar cerca de 300 calorias por hora.
• Bom funcionamento de intestinos, bexiga, rins, útero e ovários, proporcionando alívio e até mesmo cura de cólicas menstruais e prisão de ventre, além de aliviar os períodos de TPM.
• Ajuda no equilíbrio da dosagem hormonal; liberando hormônios (como endorfinas) benéficos ao corpo, melhorando e equilibrando o organismo como um todo, auxiliando no equilíbrio dos centros energéticos que chamamos de Chakras.
• Para quem tem dificuldades em engravidar, aumenta a fertilidade devido ao desbloqueio energético e à harmonização química do organismo.
• No caso das já grávidas, além dos benefícios em comum, ainda facilita a dilatação e as contrações no momento do parto.
• Sensação de maior leveza e controle dos movimentos (regulação do tônus e psicomotricidade), sendo que a consciência corporal gera consciência psíquica.
• Alívio e até cura da insônia, nervosismo e stress.
• Desenvolvimento pessoal, profissional, afetivo e espiritual - autoconhecimento, gerando autoestima e consequentemente a manifestação do potencial criativo na solução de problemas diários.
• Resgate da feminilidade, proporcionando delicadeza nos gestos, no caminhar, no falar, no cuidado consigo e socialmente; ficamos mais meigas, bem humoradas, fortes, perseverantes, seguras de nosso valor que transcende a forma física e fazendo com que alcancemos a paz interior.
• Superação de dificuldades como: aumento da flexibilidade, equilíbrio e sensação de enraizamento do corpo a partir dos pés (com o chão - terra); o aprendizado contínuo de diferentes formas de expressão e a busca de sua própria forma. Tudo isso faz com que tenhamos uma visão diferente de nós mesmas.
• Com a mente em harmonia, o organismo também se harmoniza, onde problemas psiquico-espirituais não encontram raízes.
• O processo de autoconhecimento gera consciência corporal e psíquica com consequências práticas no relacionamento intrapessoal e interpessoal.
• Trabalha os dois hemisférios do cérebro, exercitando a capacidade de reflexão, ao mesmo tempo que amplia a compreensão do mundo, do indivíduo e de sua relação com o todo social, através de uma perspectiva holística.
• Estimula a criatividade, a memória, a concentração e a atenção, através de composições individuais, coletivas, no contato com objetos cênicos e seu simbolismo cultural-ancestral. Aos poucos, se encontra a beleza nas diferenças e semelhanças, sente-se harmônico e capaz de manifestar seu próprio conteúdo expressivo.
• Treinando a percepção auditiva da rítmica oriental, a capacidade de visualizar, criar e se movimentar no espaço é aumentada, melhorando a coordenação motora ao mesmo tempo que responde a um estímulo e eco interiores da própria emoção, da própria essência.
• Sentindo-se seguro em manifestar-se diante do mundo, o indivíduo vence as barreiras da timidez, da resistência a mudanças, do confronto com autoridades e tomará consciência de que não há necessidade de buscar formas inferiores de expressão como: rebeldia, violência, sarcasmos, discriminação, depressão e doenças psicossomáticas.
• Todos estes benefícios acontecem de forma suave e duradoura.
Viver gera experiências. Experiências geram marcas. Marcas ficam registradas, sendo boas ou ruins. Esses registros ficam arquivados na memória consciente e/ou subconsciente, na tentativa de aliviar o sistema do indivíduo, os transfere para as diversas partes do corpo. O corpo gera couraças e respostas somáticas que se cristalizam com o tempo, especialmente na mulher. A mulher se torna ansiosa, tensa, inflexível rígida, infeliz... Doente.
BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE ESPECÍFICOS PARA MELHOR IDADE
• Proporciona conhecimento do próprio corpo, a consciência corporal, geralmente desprezada nesta fase.
• Ampliação das potencialidades sensoriais, sensitivas, perceptivas, cinestésicas, motoras, criativas e comunicativas.
• Reconhecimento da identidade, sensação de acolhimento que a dança trabalha, diminuição dos sintomas psicossomáticos, medo da morte e medo da solidão.
• Proporciona motivação, contato com experiências próprias desta fase de vida.
• Trabalha a relação íntima entre movimento e emoção, despertando uma linguagem corporal espontânea.
• Também pode ter efeito antidepressivo e ansiolítico.
• Para algumas mulheres, a fase de envelhecimento é muito dolorosa, e deve-se considerar as causas, tais como estilo de vida, atitudes mentais que geram padrões de resposta afetiva, gerando por sua vez respostas somáticas, o que revela uma espécie de reação em cadeia, pois os sistemas do corpo estão interligados.
• A dança pode constituir-se numa alternativa para diminuir ou cessar esta reação, porque possibilita uma decisão em reabilitar-se holisticamente.
• No aspecto orgânico – oportunidade de melhorar o funcionamento e o desempenho do sistema respiratório, cardiovascular, endócrino e neuromotor.
• No aspecto psicológico – começa a sentir-se útil para si, proporcionando auto-revalorização, aumenta a auto-estima, confia em si e em suas capacidades, dando crédito a si mesma, respeita os próprios limites e a si mesma como é e reorganiza sua auto-imagem corporal.
• É uma dança vantajosa para a mulher da melhor idade, pois ela já viveu as alegrias e mágoas que a vida lhe permitiu sentir, carregando consigo uma bagagem de conhecimentos que colocam a mulher jovem em desvantagem.
• Ela tem experiências que a jovem não possui e por essa razão, sua sensualidade, quando trabalhada e reconhecida na dança, é muito mais envolvente, magnética e pura.
A dança fornece todos esses benefícios e outros mais de forma sensível e personalizada já que seu desenvolvimento caminha de acordo com os limites de cada uma, sempre respeitando a velocidade de aprendizado que varia enormemente de pessoa para pessoa.
Mesmo que a dança do ventre tenha se modificado bastante, que não dancemos mais para os Deuses como nossos ancestrais, que só a façamos para exercitar o corpo, para passar o tempo ou somente para se apresentar em público, mesmo assim, algo mágico e sagrado persiste na sua música e nos movimentos, nos levando à Magia da Dança Sagrada do Ventre, à Dança do Sagrado Feminino.
Referências: Artigos da internet, postados por Mahaila Diluzz, Shaide Halim, Nadja el Balady e Libéria Al Khadir
Do Corpo sem Ventre
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Central Dança do Ventre
Estúdio Mahaila Diluzz
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