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Julho/2010 – Lua Cósmica da Tartaruga do Ano Semente Auto-Existente Amarela
 
 
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Dança do Ventre
POR QUE FAZER DANÇA DO VENTRE?

* Morgan Mahira (Michele Nogueira) *

Porque é a porta de entrada, para muitas mulheres, de um mundo só seu, delicado e feminino, fazendo com que se retome o contato ancestral da liberdade do ventre, dos pés descalços e da alma expressada através da dança. Sua base nos proporciona entrar em contato com o que chamamos de Divino Feminino.

Essa dança também proporciona uma autoaceitação, permitindo explorar o universo feminino, cada vez mais difícil nos dias atuais por causa do bombardeamento "plástico" e de corpos esculpidos e ditos "perfeitos".

Ao longo das aulas, enquanto alunas e/ou facilitadoras deste maravilhoso processo de autoconhecimento, notamos que o corpo vai tomando uma forma mais harmônica. O padrão de beleza "socialmente aceito" é descartado e dá lugar ao jeito de "Ser" de cada mulher.

Com essa autodescoberta, aprendemos a respeitar e a aceitar nosso corpo como ele é, mesmo com a nossa "barriguinha", aquela fora do padrão estabelecido que nos acostumamos a ver.

Desenvolvendo nossa Dança Interna, onde cada uma pode criar a sua, torna-se um bálsamo de reencontro com a própria essência. O Feminino Sagrado está dentro de cada uma de nós e ter acesso a isso não está ligado automaticamente ao aprender uma dança, mas no tomar consciência de si mesma e no despertar que essa dança nos proporciona.

Percebemos que somos únicas nesse mundo e conseguimos harmonizar o organismo para que ele tome a forma do nosso verdadeiro "Eu", o que pode ser chamado de encontro com a "Essência Divina" ou "Divindade Interior".

Descobrimos que o mais importante é dançar segura e feliz, pois descobrimos também que nossa barriga, nosso ventre é sagrado, fazendo jus ao nome: "Dança do Ventre". Desta forma, temos a oportunidade de nos libertar, continuando a sermos nós mesmas, mas melhorando cada vez mais como pessoas, em todos os sentidos da vida, incluindo o trabalho. Podemos nos tornar inteiras enquanto dançamos, nos entregar totalmente a este frenesi energético que nos é proporcionado.

"Dançar é ensinar ao corpo a linguagem da alma". Essa frase expressa toda a simbologia incluída nessa energia toda que iremos nos permitir vivenciar. Refletida nos movimentos, esta simbologia nos ajuda no processo de libertação e re-harmonização com nosso Sagrado Feminino.

A técnica da dança vivenciada através das aulas, é totalmente favorável às formas femininas e as linhas arredondadas e movimentos se adaptam perfeitamente ao desenho natural do nosso corpo. A delicadeza dos passos e deslocamentos retoma a graça feminina do andar e o reconhecimento de quanto a mulher pode ser suave e forte ao mesmo tempo, sem se desfazer de sua natureza. Reaprendendo a expressar as emoções através da música e da dança, nossas perspectivas são ampliadas, aumentando, consequentemente, as possibilidades de aplicar a dança no cotidiano.

Existe muito mais dentro de nós do que imaginamos, que busca expressão verdadeira, mas por vários motivos ainda está adormecido. Isto pode se referir à "alma da dança" e não tem relação com nenhuma religião específica, mas com respeito próprio, valorização de nossa essência divina e manifestação de nossa verdadeira identidade. E quando buscamos manifestar essa "alma" através dos movimentos da dança do ventre, resgatamos nosso poder criativo e recuperamos nosso "elo perdido" como filhas de Deus.

Nas práticas, à medida que o corpo se solta, vai se desprendendo de um padrão antigo e a estrutura dos movimentos vai imprimindo uma nova dimensão na vida de quem dança.

Os movimentos concentrados no baixo ventre, gerados a partir do quadril, vibram o corpo todo, deixando a sensação de que a bailarina-aluna e a música são a mesma coisa e se movem em perfeita harmonia.

Os desenhos geométricos inconscientes e o chamado ancestral sem palavras formam uma silenciosa e suave forma de terapia, que começa a partir do corpo, desde a postura, com a abertura da caixa torácica, à expansão do Chakra do Plexo Solar (centro de energia localizado na altura do estômago) e o encaixe de quadril que traz a bacia de volta à sua função de acomodar os órgãos internos. Adotando essa postura, haverá a ideia de um ser autoconfiante, aberto para o mundo que antes era contido. Também iniciamos o processo de reapropriação do corpo, aprendendo a isolar os movimentos de cada um dos membros e fazendo com que cada estrutura física (que abriga um dos Chakras principais) desenvolva sua função de forma equilibrada. Aprendendo a isolar, por exemplo, os membros inferiores dos membros superiores, estaremos gerando energia e fazendo com que os Chakras correspondentes respondam a este estímulo.

Para muitas pessoas, este processo silencioso causa estranhamento, com mudanças acontecendo internamente, modificando nossa frequência vibracional e transformando nossa maneira de agir, pensar e sentir o mundo. Conforme o corpo se solta, as couraças aparecem e teimam em nos abandonar. Mas quando essa percepção aparece, também existe uma escolha: continuar nos oportunizando essa redescoberta ou ficar paralisada, sem seguir adiante. E esse processo acontecerá repetidas vezes ao longo do processo de quem pratica a Dança do Ventre. Os bloqueios existentes no corpo emocional sempre têm o seus correspondentes no corpo físico, o que pode desencadear uma crise, um caos, uma barreira a ser vencida.

Pode ser feita em qualquer idade, desde crianças até à melhor idade, com absolutamente qualquer tipo físico e grau de "rigidez" (para aquelas que acham que não levam jeito ou são muito "duras"), pois a dança é exatamente para isso: LIBERTAR, SOLTAR, DESBLOQUEAR e APROVEITAR!

E atravessando o tempo, repetimos os movimentos ancestrais dos antigos rituais de celebração à vida, fazendo surgir das profundezas, da mesma forma que o Lótus surge da lama, a Luz mais plena de nossas Almas Femininas.

ALGUNS DOS INÚMEROS BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE

• Corrige a postura, proporcionando mais elegância e consequente auxílio na correção de problemas crônicos e dores na região lombar e cervical.
• Modela ombros e braços, definindo os contornos.
• Eleva os seios, favorecendo seu formato.
• Diminui a barriga, fortalecendo e enrijecendo o ventre.
• Afina a cintura.
• Arredonda e endurece os quadris e glúteos.
• Alonga toda a musculatura, deixando a figura mais delgada.
• Tonifica e fortalece os músculos da perna, principalmente coxas e panturrilhas e também outros músculos, concedendo formas mais delicadas ao corpo, com perda de gordura e ganho de massa muscular.
• Ativa e melhora a circulação sanguínea.
• Com um bom ritmo de aula, pode queimar cerca de 300 calorias por hora.
• Bom funcionamento de intestinos, bexiga, rins, útero e ovários, proporcionando alívio e até mesmo cura de cólicas menstruais e prisão de ventre, além de aliviar os períodos de TPM.
• Ajuda no equilíbrio da dosagem hormonal; liberando hormônios (como endorfinas) benéficos ao corpo, melhorando e equilibrando o organismo como um todo, auxiliando no equilíbrio dos centros energéticos que chamamos de Chakras.
• Para quem tem dificuldades em engravidar, aumenta a fertilidade devido ao desbloqueio energético e à harmonização química do organismo.
• No caso das já grávidas, além dos benefícios em comum, ainda facilita a dilatação e as contrações no momento do parto.
• Sensação de maior leveza e controle dos movimentos (regulação do tônus e psicomotricidade), sendo que a consciência corporal gera consciência psíquica.
• Alívio e até cura da insônia, nervosismo e stress.
• Desenvolvimento pessoal, profissional, afetivo e espiritual - autoconhecimento, gerando autoestima e consequentemente a manifestação do potencial criativo na solução de problemas diários.
• Resgate da feminilidade, proporcionando delicadeza nos gestos, no caminhar, no falar, no cuidado consigo e socialmente; ficamos mais meigas, bem humoradas, fortes, perseverantes, seguras de nosso valor que transcende a forma física e fazendo com que alcancemos a paz interior.
• Superação de dificuldades como: aumento da flexibilidade, equilíbrio e sensação de enraizamento do corpo a partir dos pés (com o chão - terra); o aprendizado contínuo de diferentes formas de expressão e a busca de sua própria forma. Tudo isso faz com que tenhamos uma visão diferente de nós mesmas.
• Com a mente em harmonia, o organismo também se harmoniza, onde problemas psiquico-espirituais não encontram raízes.
• O processo de autoconhecimento gera consciência corporal e psíquica com consequências práticas no relacionamento intrapessoal e interpessoal.
• Trabalha os dois hemisférios do cérebro, exercitando a capacidade de reflexão, ao mesmo tempo que amplia a compreensão do mundo, do indivíduo e de sua relação com o todo social, através de uma perspectiva holística.
• Estimula a criatividade, a memória, a concentração e a atenção, através de composições individuais, coletivas, no contato com objetos cênicos e seu simbolismo cultural-ancestral. Aos poucos, se encontra a beleza nas diferenças e semelhanças, sente-se harmônico e capaz de manifestar seu próprio conteúdo expressivo.
• Treinando a percepção auditiva da rítmica oriental, a capacidade de visualizar, criar e se movimentar no espaço é aumentada, melhorando a coordenação motora ao mesmo tempo que responde a um estímulo e eco interiores da própria emoção, da própria essência.
• Sentindo-se seguro em manifestar-se diante do mundo, o indivíduo vence as barreiras da timidez, da resistência a mudanças, do confronto com autoridades e tomará consciência de que não há necessidade de buscar formas inferiores de expressão como: rebeldia, violência, sarcasmos, discriminação, depressão e doenças psicossomáticas.
• Todos estes benefícios acontecem de forma suave e duradoura.

Viver gera experiências. Experiências geram marcas. Marcas ficam registradas, sendo boas ou ruins. Esses registros ficam arquivados na memória consciente e/ou subconsciente, na tentativa de aliviar o sistema do indivíduo, os transfere para as diversas partes do corpo. O corpo gera couraças e respostas somáticas que se cristalizam com o tempo, especialmente na mulher. A mulher se torna ansiosa, tensa, inflexível rígida, infeliz... Doente.

Aula de Dança do Ventre
 
Aula de Dança do Ventre
 
Aula de Dança do Ventre
BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE ESPECÍFICOS PARA MELHOR IDADE

• Proporciona conhecimento do próprio corpo, a consciência corporal, geralmente desprezada nesta fase.
• Ampliação das potencialidades sensoriais, sensitivas, perceptivas, cinestésicas, motoras, criativas e comunicativas.
• Reconhecimento da identidade, sensação de acolhimento que a dança trabalha, diminuição dos sintomas psicossomáticos, medo da morte e medo da solidão.
• Proporciona motivação, contato com experiências próprias desta fase de vida.
• Trabalha a relação íntima entre movimento e emoção, despertando uma linguagem corporal espontânea.
• Também pode ter efeito antidepressivo e ansiolítico.
• Para algumas mulheres, a fase de envelhecimento é muito dolorosa, e deve-se considerar as causas, tais como estilo de vida, atitudes mentais que geram padrões de resposta afetiva, gerando por sua vez respostas somáticas, o que revela uma espécie de reação em cadeia, pois os sistemas do corpo estão interligados.
• A dança pode constituir-se numa alternativa para diminuir ou cessar esta reação, porque possibilita uma decisão em reabilitar-se holisticamente.
• No aspecto orgânico – oportunidade de melhorar o funcionamento e o desempenho do sistema respiratório, cardiovascular, endócrino e neuromotor.
• No aspecto psicológico – começa a sentir-se útil para si, proporcionando auto-revalorização, aumenta a auto-estima, confia em si e em suas capacidades, dando crédito a si mesma, respeita os próprios limites e a si mesma como é e reorganiza sua auto-imagem corporal.
• É uma dança vantajosa para a mulher da melhor idade, pois ela já viveu as alegrias e mágoas que a vida lhe permitiu sentir, carregando consigo uma bagagem de conhecimentos que colocam a mulher jovem em desvantagem.
• Ela tem experiências que a jovem não possui e por essa razão, sua sensualidade, quando trabalhada e reconhecida na dança, é muito mais envolvente, magnética e pura.

A dança fornece todos esses benefícios e outros mais de forma sensível e personalizada já que seu desenvolvimento caminha de acordo com os limites de cada uma, sempre respeitando a velocidade de aprendizado que varia enormemente de pessoa para pessoa.

Mesmo que a dança do ventre tenha se modificado bastante, que não dancemos mais para os Deuses como nossos ancestrais, que só a façamos para exercitar o corpo, para passar o tempo ou somente para se apresentar em público, mesmo assim, algo mágico e sagrado persiste na sua música e nos movimentos, nos levando à Magia da Dança Sagrada do Ventre, à Dança do Sagrado Feminino.

Referências: Artigos da internet, postados por Mahaila Diluzz, Shaide Halim, Nadja el Balady e Libéria Al Khadir
Do Corpo sem Ventre
Oriente Encanto e Magia
Raízes Árabes
Tribal Bellydance
Tribal Bellydance en Bogotá
Lulu Sabongi
Central Dança do Ventre
Estúdio Mahaila Diluzz
Paula**Tribal & fusão
 
 
VEJA TAMBÉM:
A DANÇA DO NOVO MILÊNIO... O ESTILO TRIBAL
DANÇA DO VENTRE OU DANÇA ORIENTAL ÁRABE
* Michele Nogueira é bióloga, formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mas encontrou sua realização através da dança. Iniciou formação com ballet clássico, passando pelo jazz contemporâneo até especializar-se em dança oriental árabe. Participações em diversos eventos. Ministra aulas, workshops e oficinas (Grupo de Dança Oriental Filhas de Ísis) – Pelotas/RS.
E-mail: filhasdeisis@gmail.com              Fone: (53) 9136-5317              Visite: www.filhasdeisis.blogspot.com

* foto: divulgação
Permitida a reprodução em qualquer meio, desde que citada a fonte e mantidos integralmente todos os créditos.
Honre o Divino em você, honrando o Divino nos outros.
 
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