Março/2006 – Lua Solar do Jaguar do Ano Semente Cósmica Amarela
 
:: MEIO AMBIENTE

BEM-VINDOS AO MUNDO REAL!?!

* Cíntia Barenho *

Enquanto o mundo, ou melhor, os 188 países signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica, assinada na ECO-92, no Brasil, discutem em Curitiba/PR estratégias e diretrizes para frear a destruição da biodi-versidade, cabe questionar como os municípios, em especial Pelotas está inserida nesse contexto? Como a preservação e a conservação dos ecossistemas locais vêm sendo desenvolvidas e colaboram com a proteção da biodiversidade?

Pelotas, por meio do estuário da Laguna dos Patos, faz parte de um complexo de zonas úmidas-banhados-importantes para a ciclagem de nutrientes, alimentação de aves migratórias, controle da vazão e reciclagem de corpos d'água.

Um município com tamanha identidade hídrica apresenta insuficiente preocupação com as mesmas. O episódio recente de transposição de águas, sem o devido, legal e obrigatório licenciamento ambiental revelou isso. O fato de uma barragem para armaze-namento de água visando o consumo urbano se encontrar abaixo do nível aceitável é muito preocupante não só para saúde da população, como também para o equilíbrio ecológico. Porém, a par disso, o fato de não termos uma política de manejo, conservação e preservação dos corpos d'águas e nascentes é algo inconcebível para um município com as características ambientais aquáticas como Pelotas.

Não se pode simplesmente encarar esta situação apenas com uma transposição de águas. Devemos pensar e executar um programa integrado de preservação e conservação dos mananciais, proteção de suas matas ciliares e banhados, estratégias conjuntas de saneamento e urbanização, de forma sustentável.

Pelotas está vivendo um momento muito importante que é a elaboração do seu III Plano Diretor e essas questões devem ser debatidas e construídas coletivamente pela sociedade, através de seus conselhos representativos e pelo Poder Público, em espaços democráticos, como as Audiências Públicas e o Congresso da Cidade.

Carece a construção de Políticas Ambientais, principalmente para a gestão das Águas. Só assim poderemos pensar em começar a comemorar o dia 22 de março, como o Dia Internacional das Águas.



* Bióloga e Mestranda em Educação Ambiental/FURG; integrante do Centro de Estudos Ambientais (CEA) e membro do COMPAM – Pelotas/RS.
E-mail: cintia.barenho@gmail.com

* foto / Carlos Cogoy


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Ed. 53 - Março/2006 - Lua Solar do Jaguar do Ano Semente Cósmica Amarela


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